Saravá Umbanda!
Blog Camilla Rabelo

Para quem não sabe sou umbandista e não tenho vergonha de me declarar. Frequentava anteriormente centros kardecistas, os quais me foram muito úteis para estudar e adentrar no espiritualismo. Amava o centro que eu participava, mas ainda não me sentia no lugar certo. Foi na umbanda que me encontrei. No calor humano da umbanda que recebe todos com os braços tão abertos quanto uma mãe, cheia de amor para dar. Infelizmente a umbanda, assim como outras religiões de matrizes africanas, são muito incompreendidas. Há muitos centros que se dizem "umbandistas", mas infelizmente trabalham em prol do material. E a umbanda definitivamente não merece ter sua imagem manchada por pessoas e centros que se dizem de umbanda e não o são.

A Umbanda é uma religião cristã nascida no Brasil, e é estruturada, moralmente, em 3 princípios: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Cristã porquê acredita na figura de Jesus Cristo, sincretizado na figura do orixá Oxalá. Admite um deus gerador chamado Zambi, que é o criador de tudo e todos. Seus adeptos (chamados também de "umbandistas" ou "filhos de fé") cultuam divindades denominadas Orixás (Yemanjá, Oxum, Ogum, etc) e reverenciam espíritos chamados Guias. Suas origens são remotas, vindo do berço de nossa civilização, talvez até de civilizações mais antigas, ainda desconhecida pelo homem. A umbanda como conhecemos agora, renasceu no século XX, em novembro de 1.908 através do médium Zélio Fernandino de Morais e foi estruturada livre de práticas e mitologias passadas.

Os orixás na umbanda são forças da natureza, que interferem diretamente na nossa vida e personalidade. Águas, ventos, fogo... a umbanda reconhece a energia dos fenômenos naturais nos seus orixás.

Sua orientação espiritual ou doutrinária é feita pelos Guias - espíritos que atuam na Umbanda sob uma determinada linha de trabalho que, por sua vez, está ligada diretamente a um determinado Orixá. Os guias têm sapiência e consciência da natureza humana e os atributos para que essa humanidade possa evoluir e seguir por um caminho melhor. Os guias se manifestam através da mediunidade dos médiuns, sendo a prática da incorporação a matriz do trabalho deles - ato pelo qual uma pessoa médium, inconsciente, consciente ou semi-consciente, permite que espíritos falem através de seu corpo físico e mental. Os guias possuem diversos arquétipos pelos quais se apresentam através da incorporação. Cada arquétipo está ligado a uma determinada Linha Espiritual. Como exemplos desses arquétipos podemos citar: Pretos-velhos; Caboclos; Baianos; Marinheiros; Boiadeiros; Crianças; Exus e Pomba-giras, entre outros.

A umbanda é uma religião espiritualista, mas se utiliza da codificação espírita de Allan Kardec, além da bíblia como livro sagrado. É uma religião sincrética.  O sincretismo religioso existente na umbanda dá-se devido a fatores histórico-culturais presentes na história do Brasil. Durante o Brasil Colônia, os índios brasileiros e os negros eram mantidos como escravos. Eram proibidos de expressar, cultuar ou fazer ritos de acordo com suas próprias crenças religiosas por conta dos preconceitos (e medos) dos seus senhores, e tinham que fingir e “aceitar” a imposição da religião Católica, pois a missão Jesuíta era impor isso a eles, para que todas as impurezas de espírito fossem retiradas dos “não-civilizados”. Muitos deles, ao demonstrarem essa não-aceitação ao catolicismo, acabavam sendo severamente castigados. Não satisfeitos em dar continuidade às suas crenças de forma silenciosa, a saída encontrada pelos escravos foi associar os orixás aos santos católicos que melhor pudessem representar cada divindade. Desta forma sábia, eles puderam contornar a ignorância e a intolerância a eles impostas e assim surgiu o sincretismo que permanece até os dias de hoje. A representação dos orixás através dos santos católicos pode sofrer variações de cidade para cidade, mas o importante é que se tenha em mente as características e essência de cada orixá. Por exemplo:

Oxalá – Jesus Cristo,   Oiá – Santa Clara, Oxum – Nossa Senhora Aparecida, Oxumaré – São Bartolomeu, Oxóssi – São Sebastião, Obá – Santa Joana, D'Arc Xangô – São Jerônimo, Ogum – São Jorge, Iansã – Santa Bárbara, Obaluaê – São Lázaro, Omulú – São Roque, Iemanjá – Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes, Nanã – Santa Ana.

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Ontem, dia 08, foi comemorada na Igreja Católica e na Umbanda o dia de Nossa Senhora da Conceição, sincretizada na figura de Yemanjá, o orixá mãe de todos os orixás, nossa grande mamãe, rainha das águas salgadas. Sempre tive curiosidade para participar da festa de Yemanjá em uma cidade litorânea, e esse ano tive a primeira oportunidade. 140 mil pessoas reunidas numa só emoção, fé, muita positividade, essa é a minha umbanda.

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A única coisa que ainda me entristece é a intolerância religiosa que acontece no mundo, e me refiro não somente à minha religião, mas em todas. Se cada um soubesse respeitar a fé do próximo o mundo não estaria envolvido em tantas guerras. Deus é um só, e em cada religião, só muda de nome. Não importa a sua religião se ela te torna uma pessoa melhor e preza pelo amor e pelo bem. O mundo precisa de menos prepotência, mais respeito e mais amor. Muito axé (positividade) para você!


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Um Comentário

  1. Nossa, amei o post, muito esclarecedor. Sempre tive curiosidade sobre a umbanda, e ao mesmo tempo tinha preconceito, mas é aquela coisa, a gente precisa conhecer para poder falar, ando bem interessada no Kardecismo, acho que é algo que me impulsiona para o bem.

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